E quando a vida nas grandes cidades nos mata?

6 de agosto de 2014

Sei que o título pode ser um pouco pesado. Mas nesse momento estou me sentindo um pouco dessa forma. Ontem recebi uma notícia bem triste de mais uma pessoa querida que tirou sua própria vida, a segunda que eu perco dessa forma em menos de 2 anos. Quando paro para pensar nessa estatística somada ao fato de pegar metro e trem e ficar sabendo de pessoas que se jogaram no trilhos do trem quase toda semana, não tem como não fazer essa pergunta e não refletir sobre como esse estilo de vida tem nos matado pouco a pouco todos os dias. Eu sei que morte por depressão e suicídio existe em toda parte, mas sabemos que os focos estão nas grandes cidades, onde as pessoas vivem eterno caos e nem sempre conseguem extrair dele as coisas boas, seu o potencial criativo. Eu mesma criei esse blog porque me sentia mal, porque tinha que lidar de alguma forma com essa confusão de sentimentos entre viver cercada de pessoas, mas se sentir tão só, tão sem identidade no mundo. 

Se quiser entender o que estou falando experimente ir ao Metro Sé as 18:00hrs. São centenas e centenas de pessoas passando na sua frente a cada minuto, pessoas indo e vindo com tantas histórias de vida, mas que você não faz a menor ideia de quem sejam. A minha primeira sensação quando eu vivenciei isso foi de ser um nada naquele mundo. Eu me senti tão dispensável, tão mais uma em meio a multidão... Toda a minha identidade, as coisas pelas quais eu me sinto importante foram totalmente ofuscadas pelo mar de gente invadindo meu coração. Eu só queria fugir dali, antes que eu desaparecesse e ninguém sentisse falta. É um desespero, que podemos vivenciar todos os dias sentados nos bancos de qualquer estação de metro de uma cidade grande.

Como lidar com isso, acho que é o ponto da questão. Os problemas de viver em cidades grandes não se concentram em torno simplesmente da quantidade de pessoas, mas de todas as consequências a partir disso. Falta de espaço para viver bem, falta de verde, de sol, custo de vida alto, falta de socialização, dificuldade de locomoção, estresse. São tantos os pontos que contribuem para o adoecimento e morte das pessoas, que não é tão estranho que tenhamos atingido o posto de cidade com mais perturbações mentais no mundo todo. Vocês entendem a gravidade disso? Quase um terço da população se São Paulo é doente. Quando vamos parar para realmente refletir sobre isso?

Infelizmente eu não estou fora dessas estatísticas. A maior parte das pessoas ao meu redor também não. Sofremos com a falta de sentido da vida, sempre buscando uma forma de lidar com nossos medos, ansiedades e questionamentos que nem todos compreendem, que muita gente nem se quer aceita. Alguns conseguem melhorar com os remédios, outros precisam de outras formas para superar. Eu tento lidar com meus problemas buscando a parte bonita da vida. E todo dia me proponho a ver dessa forma, porque eu realmente acredito que a vida é bonita, mesmo quando não consigo enxergar através da confusão.

Por isso, de certa forma, quis escrever sobre isso hoje. Queria dizer que se você também se sente mal, solitário, sem sentido na vida, você não é o único. Estamos quase todos no mesmo barco, infectados por essa opressão que parece se disseminar no ar de São Paulo. Todos nós estamos buscando uma forma de lidar com tudo isso e resgatarmos nossa importância no mundo porque SIM, TODOS TEMOS NOSSA IMPORTÂNCIA. Somos únicos, mesmo que as vezes não nos sintamos dessa forma. É preciso ter força, e buscar no caos o criativo. Sem isso, viraremos mais um número das estatísticas daqueles que foram levados pelo buraco negro da vida pós moderna.

Espero que possamos refletir sobre isso. Finalizo com um trecho de uma música que expressa bem o que penso da vida. Ela é o que fazemos dela, o sentido que quisermos dar. E mesmo que não seja o que esperamos, ainda sim, é bonita e vale a pena ser vivida.


"Eu sei... que a vida devia ser bem melhor (e será!!!!), mas isso não impede que eu repita: É bonita, é bonita e é bonita!"











  1. Adorei o seu texto, de verdade. Mesmo não morando em uma capital, eu sempre penso nisso. Sempre penso que, assim como eu, com histórias, sentimentos, segredos, os outros lá fora também são assim. E ninguém merece passar despercebido ou se desmerecido. Ótimo ponto de vista! Um beijo, xará!

    www.namesmafrequencia.com.br

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  2. meu coração ficou bem pequeno de ler esse post. Tristeza, depressão e falta de sentido parecem ser o mal do século. Vivo isso como pessoa e como educadora através daqueles que passam pela minha vida como estudantes.
    O sentimento de impotência é inexplicável e quando vejo isso com um de meus estudantes fico desesperada. Converso, abraço, mando mensagens e tento muito ajudar. Porém a cada ano parece que o número aumenta e fico me perguntando por quê? A vida é dificil mas vale a pena,ela te exige poucas coisas. A sociedade moderna porém parece querer teu sangue e mais um pouco e a verdade é que a gente nem sempre aguenta. A luta é percebermos o que é necessário e que somos necessários, para nós e para os outros.
    Força e carinho pra você de quem adora teus posts e tuas vivências.

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  3. Meus pêsames pela perda, Jess :(

    O seu texto traz em meio a tristeza e às dificuldades uma dose de esperança. Se ela tivesse uma cor seria amarela, igual a sua flor.
    A cidade onde moro (Sorocaba) não é grande como São Paulo, mas a gente já observa o crescimento e os seus venenos. Quando vou para SP parece que deixo uma parte minha lá na cidade. É intensa, cheia, e ao mesmo tempo, vazia.

    As coisas estão sempre em mudança. Não sei daqui quanto tempo as coisas serão realmente belas, ou melhor, a beleza será considerada, e outro não será apenas mais um número. Pode demorar, mas já existem pessoas, assim como você, que começaram a plantar esse sentimento. Quem sabe onde que vai dar?!

    Dias mais amarelos para uma SP menos cinzenta.

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  4. Meus pêsames!
    O que me preocupa é o modo como as pessoas veem a depressão e os TOC´s da vida. Acham coisa normal, de gente fresca que não tem o que fazer. Não sei se você já sabe mas inauguraram a pouco tempo o metrô aqui de Salvador, já andei e tudo. Durante a viagem de uma estação a outra fiquei observando o comportamento das pessoas, imaginando o tipo de vida que cada uma deve levar e para onde estavam indo. No entanto, as pessoas mal olhavam na cara umas das outras. Essa frieza excessiva ainda me assusta, não sei porque.
    E daí quando ouvimos casos de suicídio próximos a nós ficamos tão impactados mas acho que de alguma forma os sinais estavam ali mas não soubemos lê-los.

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  5. Acabei parando aqui no seu blog sem querer e gostei muito do seu texto, percebo que infelizmente estamos ficando cada dia mais doentes tanto fisicamente como emocional. O mais triste é que boa parte das pessoas apenas segue o fluxo louco das grandes cidades sem questionar a forma como estão levando suas vidas.

    Meus pêsames em relação a sua colega.

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  6. Olá flor
    Nossa meus pêsames, que triste tudo isso, hoje mesmo estava vendo uma matéria na TV sobre pessoas que tiram a própria vida, que não se amam, por algum motivo algo fica martelando na cabeça da pessoa p/ que ele cometa o suicídio e aí a tragédia acontece, lamento muito sobre o ocorrido, fica bem, tenha fé em Deus que tudo vai ficar com vc, que Deus conforte o seu coração.
    Beijos!!

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  7. Sabe Jé, me sinto assim perdida em meio de um mundo onde cada um só pensa em si mesmo. Esses dias eu estava no ônibus e imaginando varias pessoas cada uma com seus planos e objetivos correndo atrás de seus sonhos e nenhuma olhando a sua volta se ali do lado não existia alguém que precise de uma palavra de conforto, de um bom dia, de um simples oi capazes de até mesmo puxar o tapete para conseguir o que querem ou de empurrar uma pessoa só por que ela está atrapalhando seu caminho ou a porta do ônibus, de discutir com a motorista só por que ela está atrasada e não pode perder seu emprego... Me sentir só, em meio muitas pessoas!
    As vezes paro para me perguntar qual o motivo da vida, mas sempre lembro do que aprendi em minhas conversas com Deus ai paro para olhar as coisas bonitas da vida que aprendi a olhar com você as arvores, as frutas, o céu é uma maneira de não me sentir só, na verdade me sinto muito bem acompanhada!

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  8. sinto pela perda, moça. infelizmente, esses casos hoje são muito comuns.

    seu texto me lembrou o monólogo inicial do filme medianeras. o filme todo fala sobre a solidão de se viver numa cidade grande e se encontrar em meio a tanta gente. embora eu não viva isso hoje (sou do rio e moro no subúrbio), sei como é a sensação de ser mais um. irrelevante.
    e me livrei do mal da depressão assim que meu filho nasceu.

    que tenhamos dias melhores daqui pra frente. precisamos nos livrar desse mal.

    beijos.
    http://ap202.blogspot.com.br/

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  9. Olá.
    É muito triste ler um texto assim, pois a reflexão veio de uma perda que é irreparável. Mas infelizmente preciso dizer que é uma boa reflexão e que isso, mesmo sendo mais forte em SP, não é uma coisa restrita a essa cidade. Vivo no RJ e muitas vezes tenho essa sensação, sabe? As pessoas vivem numa correria sem fim, sem parar para respirar, sem parar para nada. É uma vida meia insana e frenética onde as pessoas só pensam em trabalhar, pirar e muitas vezes se matar. É surreal!
    Um beijo e gostei do texto e do blog.

    http://meucoracaoescreve.com/

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Oi, sou Jess! Vivo em São Paulo, Brasil onde trabalho como designer. Adoro tudo que envolve criação. Criei o blog em uma tentativa de extrair do caos da grande metrópole o criativo. Hoje o blog tem um pouco mais que isso, como registros dos meus dias, sensações, reflexões e coisas que me inspiram! Sinta-se a vontade para ler, comentar, compartilhar e interagir :)







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