23 de outubro de 2014

mais amor, mais luta e menos mimimi, por favor!

Os ânimos estão super acirrados na sociedade hoje. De um lado uma certa comemoração daqueles que acreditam na vitória do PT, de outro os desolados que não compreendem como um governo tão criticado nos últimos anos pode se manter no poder. De debates intermináveis a bloqueios no facebook, perdemos o respeito e até a compostura. Mas como ser diferente? O Brasil vive talvez seu momento de maior contradição social e cultural, quando pela primeira vez se vê muita gente tendo acesso a uma série de coisas que outrora não teria, quando na mesma medida, essas pessoas por se acharem em uma posição superior socialmente (mesmo que no fundo isso não seja verdade), acaba por eleger ou ir na defesa de candidatos conservadores que muito provavelmente, contribuiriam para o retorno de uma sociedade ainda mais dividida e estigmatizada. Obviamente que nem é tão simples assim, há tanto mais em jogo. Mas como compreender e ir além do ódio propagado nessas eleições e das amizades perdidas em intensos debates? Todos queremos um Brasil melhor e no fundo, acho que é isso que estamos tentando procurar no meio dessas cores difusas que nos foram apresentadas.

Ontem eu fiquei relativamente feliz com o resultado. O comentário que mais descreveu meu sentimento foi algo escrito pela Juliana Cunha:

"Acho que estou um pouco empolgada demais com a eleição de uma candidata e de um projeto que, de boas, fracos pra caramba. Mas é meio como quando sua vida está bem, bem cagada e um ônibus quase te atropela e você subitamente fica empolgado porque, velho, um ônibus."

Cara, um ônibus entende? O PSDB. Quem melhor para odiar o PSDB que um pessoa que nasceu em São Paulo e tem 23 anos que não vê nenhuma mudança no poder? As coisas pioram, pioram e lá está ele, Alckmin, Serra, Serra, Alckmin. Oligarquia interminável. Peço desculpas se me excedi na comemoração, ou mesmo se acabei me empolgando demais, mas velho, na boas, o que estava em jogo ontem para uma pessoa como eu, era muito mais no âmbito do discurso que de fato em um projeto de governo do qual tenhamos acordo. Porque nem PT, nem PSDB apresentam nenhuma perspectiva para o país e como bem disse o Duvivier, de toda forma, hoje o Brasil acordou mais perdedor do que nunca. O PMDB venceu, e nós estamos perdendo as estribeiras por conta de quem não está nem aqui para nossos problemas. 

De toda forma, uma boa reflexão que fica desse debate é que eu não me arrependo das amizades que perdi nesse processo. Como bem disse uma amiga minha, não faço questão de ter em meu círculo de amigos pessoas com discursos escrotos que acham que "nordestino tem mesmo é que se fud@R porque não sabe votar". Não mesmo. Desse tipo de gente, quero distância. E quero muito problematizar com a galera que não sabe ver as coisas para além de uma polarização. Que acha que porque seu candidato não venceu o melhor é ficar de "luto" pelo Brasil. Na boas, o Alckmin venceu em SP e eu não estou de luto por ele. Até pensei em largar tudo e cruzar as fronteiras com os gatos nas costas, mas logo repensei e já decidi... FICAREI e estarei no próximo ato (alô galera, dia 01 de novembro!) contra a máfia da SABESP e todo o absurdo que estamos vivenciando por aqui. Porque é isso, a luta é que muda as coisas, e apertar um botão jamais pode ser considerado o ápice da atividade política de um indivíduo.

continuaremos nas ruas. Quer gostem ou não.

Voltemos sim a nos amar, por favor. Mas voltemos também a dedicar mais tempo com política, lutando (seja na justiça, nas ruas, nos coletivos, nos debates) para que possamos de fato mudar esse País. Ontem eu vi tanta gente se manifestando (das formas mais diversas) que dá sim uma grande alegria. Mesmo aquela pessoa indignada que posta um monte de xingamentos me dá a esperança que um dia ela sairá da infância política (que só vê as coisas de forma maniqueísta) e caminhará para um avanço nos debates e nas propostas. Para isso, é preciso antes de tudo deixar de lado o comodismo. Porque xingar todo mundo no facebook e a cada dois anos apertar um botão não é cidadania viu? E não ajuda em nada a mudar tudo que achamos se errado ;)

Um beijo para todxs. desculpa qualquer coisa e vamos a luta, que há MUITO a ser feito a partir de... HOJE! :**

2 comentários

  1. perfeito!

    Não votei na Dilma, mas espero que as melhoras venham. para além dela, precisamos buscar outras formas de construir um futuro melhor.

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    1. Mais do que nunca! Acho que vivemos em um momento bom, de contradições mesmo. As pessoas estão inconformadas e revoltadas mas nem sempre estamos enxergando a raiz dos problemas. Mas acredito que a vida política é como a própria vida, precisamos vive-la para amadurecer e tornarmos mais sábios e conscientes.

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